sábado, julho 28, 2012

Caminhoneiros mantém piquetes no terceiro dia de greve


No terceiro dia de greve, as lideranças ligadas ao Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) continuam realizando manifestações nos estados do Sul e do Sudeste e também na Bahia. Os caminhões são parados em piquetes montados nas rodovias, mas liberados depois de algumas horas. Em Minas Gerais e Santa Catarina a mobilização ganhou força e o tráfego chegou a ser interrompido.

No Paraná, levantamentos feitos pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram o enfraquecimento da greve do primeiro dia (quarta-feira) para o segundo. O número de caminhões que passaram na quarta-feira, entre zero e 15 horas, pelas rodovias pedagiadas do Estado foi 16% menor que no mesmo dia e horário da semana passada. Na quarta-feira, a entidade havia contado 28% menos caminhões entre zero hora e meio-dia.

Ontem, uma decisão da Justiça Federal no Espírito Santo enfraqueceu o movimento no Estado.  A 5ª Vara Federal Cível proibiu o bloqueio de vias por parte dos caminhoneiros em greve.  Foi dado um prazo até a meia-noite da quinta-feira para os manifestantes deixarem os piquetes, sob pena de o MUBC receber multa diária de R$ 50 mil.

“Infelizmente, a Justiça Federal fez isso com a gente. Estávamos fazendo um trabalho pacífico de conscientização”, lamentou o presidente do Sinditac de Linhares (ES), Aylton José Maze. Segundo ele, as rodovias foram desobstruídas às 2 da madrugada desta sexta-feira. Maze disse à Carga Pesada que o MUBC não irá liderar novos piquetes, mas que a “categoria está disposta” a fazê-los por conta própria.

Em Luís Eduardo Magalhães, o presidente do Sinditac local, Ademar Roberto, resolveu suspender temporariamente os piquetes depois de passar mal, com uma crise de pressão, e de ver seu filho preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O sindicalista diz que os piquetes eram pacíficos e que o filho foi preso com a alegação de que estaria atentando contra o direito de ir e vir dos usuários das rodovias. O rapaz já foi solto e o Sinditac pretende retomar as manifestações.

Ademar criticou alguns colegas que, segundo ele, estariam radicalizando. “A nossa orientação é para parar somente caminhão. Mas eu fui para casa dormir e teve gente trancando a pista, não deixando nem ambulância passar. Teve caminhoneiro jogando pedra nos caminhões que não querem parar”, criticou. Para o sindicalista, essas pessoas estariam a serviço das entidades que não apoiam a greve.  

O presidente do MUBC, Nélio Botelho, disse nesta manhã à Carga Pesada que os caminhoneiros estão dispostos a “dar o sangue” pelo movimento. “A guerra continua”, afirmou. Questionado se a adesão à greve não está bem aquém do esperado, ele nega. “Os caminhoneiros estão parados em casa”, alega.

Botelho diz que o MUBC está preparado para enfrentar as decisões judiciais contra o movimento. “Já recebemos mais de 40 notificações. Isso já era esperado”, afirmou.

O presidente do sindicato que representa as empresas de transporte no Paraná (Setcepar), Gilberto Cantú, considera que a greve tem pouca adesão e não impactou nas atividades do setor. ”São poucos os caminhoneiros que aderiram. Os demais ficam parados nos piquetes nas estradas por algumas horas, mas depois são liberados. No máximo, a greve está atrasando um pouco as entregas”, afirmou.

A reportagem procurou a NTC&Logística para saber qual a avaliação que a entidade faz sobre a greve dos caminhoneiros. A assessoria diz que a associação nacional não está se manifestando a esse respeito por considerar que o movimento não prosperou e não impactou na atividade.

EMPRESÁRIOS PARADOS
Na região de Londrina, no Paraná, quem está encabeçando a greve dos caminhoneiros é uma associação de transportadoras, a TNP, que fez piquetes na PR 090, em Bela Vista do Paraíso, ontem e hoje pela manhã. 
”Chegamos a parar cerca de 200 caminhões nos dois sentidos da via”, disse Eder Wilezelek, dono de uma das empresas ligadas à TNT:

Segundo ele, com a lei do descanso (12.619), o negócio se inviabiliza. ”Se nossos motoristas tiverem de parar a toda hora, não teremos condições de sobreviver”, disse. Wilezelek também critica o fim da carta-frete. No novo sistema, segundo ele, será preciso ”declarar 100% dos impostos”.

Na pauta de reivindicações do MUBC, estão a revogação da resolução 3.658 que extinguiu a carta-frete e a prorrogação por um ano dos efeitos da lei 12.619, que regulamenta a profissão de motorista. 

FERNÃO DIAS PAROU
A soma dos congestionamentos causados por protestos de caminhoneiros em vários trechos da Rodovia Fernão Dias ultrapassou 30 km por volta das 9h30 desta sexta-feira (27), de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgados pelo site g1.com. A via é a principal ligação entre os estados de Minas Gerais e São Paulo.

A rodovia está interditada, no sentido São Paulo, em Igarapé (km 513) e também em Itatiaiuçu (km 545), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e Carmópolis de Minas (entre os km 586 e km 589), na Região Centro-Oeste de Minas Gerais. Ainda de acordo com PRF, por volta das 9h30, havia um longo congestionamento nesses trechos. O tráfego estava parado do km 533 ao km 545 e havia retenções entre os km 504 e km 513. Próximo a Carmópolis de Minas, o tráfego estava retido entre os km 586 e km 589.

A Concessionária Fernão Dias, que administra a via, informou que o congestionamento em Igarapé chegava a seis quilômetros e em Itatiaiuçu a fila já chegava a 12 km, nos dois sentidos. Nem carros pequenos eram autorizados a passar.

No sentido Belo Horizonte, o trânsito também foi interditado em Carmópolis de Minas e em Oliveira, na Região Centro-Oeste do estado, apresentando 3 km de retenção neste horário (entre os km 596 e km 589).

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou também que caminhoneiros também protestam na MG-050, na altura de Itaúna, e na BR-050, próximo ao Trevo de Ouro Preto.

Motoristas fecharam também parte da BR-345, entre Candeias e Campo Belo, na Região Sul do estado.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) recomenda que os motoristas evitem os trechos e informou que, por causa do grande número de trechos afetados, não vai sugerir rotas alternativas. Por meio de nota, a PRF informou que respeita o protesto dos caminhoneiros desde que não afete o direito de ir e vir dos demais usuários. A polícia mencionou ter recebido comunicados de pessoas portadoras de doenças, idosos, crianças e gestantes relatando que estavam retidas nos congestionamentos. O órgão afirma que seus agentes têm negociado constantemente a abertura das rodovias para livre acesso dos veículos e também dos caminhoneiros que não desejam participar do movimento.

O presidente regional do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) em Minas Gerais, José Acácio Carneiro, disse ao G1 nesta sexta-feira (27) que é contra o fechamento das rodovias porque atrapalha a rotina das pessoas. “Isso está prejudicando a nossa imagem perante a opinião pública. Sou contra o fechamento da rodovia. Sou a favor do protesto, mas que seja feito com ordem”, disse Carneiro.

Ainda segundo ele, antes a lei determinava que o transporte rodoviário de carga fosse feito por profissionais. “Depois da mudança qualquer um pode fazer o transporte. Queremos profissionalizar a categoria”. Carneiro contou ainda que a lei estipula que a jornada de trabalho pode chegar a 13 horas diárias e que haja um intervalo de 11 horas para o descanso. “Precisamos que o governo faça pontos de apoio para os caminhoneiros terem condições dignas de descanso”. José Acácio Carneiro acrescentou também que a categoria quer ser consultada sobre as mudanças nas leis que regulamentam suas atividades. “Somos a favor da lei. Não somos contra a resolução. Só queremos que seja feita da forma correta”, disse.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que discutirá com transportadoras e caminhoneiros novas regras para a regulação do setor. A agência também informou que busca o aperfeiçoamento dos requisitos para inscrição no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas e das normas relativas ao pagamento eletrônico de frete.

Expresso MT

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